domingo, 3 de abril de 2011

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... E em tudo ele aparece com seu cheiro. A carteira que eu abro, o café que eu tomo, o cimento da construção, o elevador velho, o corredor recém faxinado, o carpete antigo, o sol que entra pela sala, o caderno folheado, a caneta que começa a escrever e... Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Comprar pílula, lenço demaquilante, Roc Minesol e colírio. Hummm, tenho ainda que desbloquear o Sem Parar.

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Eu daria para ele. Andaria de mãos dadas, apresentaria aos amigos, sentaria em seu colo, de um lado, do outro, de pernas abertas, sentindo seu pau. Fecho os olhos e seu corpo nu me vem. Imagino todos seus supostos defeitos, nenhum deles me incomoda. Estou na fase fadinha, então quero. E... Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Podemos almoçar no shopping, que tal? Me encontra aqui às 14h?

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Uma respiração leve me invade e no mesmo compasso tento me jogar. O calor ajuda. Me amolece, me anestesia. Me jogo. Chega deste medinho de merda. Tá com medinho? Pede pra sair. Pede pra sair. Desocupe a moita, jogue o jogo. Entre em cena... Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...  

– Rack, queria trocar uma idéia com você, tudo bem?  – Claro, de boa.  – Rack, vamos ver o lance da declaração? – Claro, de boa. De boa meu cu. Fuji loucamente. Careta vai querer abrir o coração. Não quero saber de segredo algum. Por quê as pessoas insistem em se confessar comigo? Em falar comigo na fila da padoca? Em puxar conversa fiada no busão, mesmo quando estou lendo um livro? Não quero ser grossa. Mas também não quero ficar de papinho. Olho para o espelho com cara de cu e tento encontrar onde eles acham brechas para me abordar, no meio do cu que é a minha cara de cu. Cu, cuzão, cu grandão.

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Se ele me segurar assim de novo eu dou aqui mesmo. Se me chamar pelo nome mais uma vez seria eternamente sua escrava. Vai, fala de novo meu nome. Olha para mim. Olha e fala que quer me comer dizendo firme e lentamente o meu nome: - Rachel... Quero te comer. – Rachel, quero te comer toda. – Rachel, eu vou te comer! Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

– Ahhh, valeu. Valeu super! – De boa! Será que todo mundo está de boa hoje? Fico puta. – Então, olha só, acabei de ver que você colocou a data errada, colocou 2010 e já estamos em 2011 né? – É, é... – Já volto para pegar outro... Perdeu playboy. Ficou sem graça? Perdeu. Jamais será. De mim agora só terás mesmo é a cara de cu. – Obrigada. Com cara de cu. Cu, muito cu.

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Seu cheiro agora é meu. Está em mim. Circula ao meu redor. Faz cena para mim. Dança se exibindo. Curte com minha onda. É a minha onda. Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

– Então é isso galera. Continuamos depois.

– Mesmo? 

– Sem dúvida Rachel.

Sem dúvida.

2 comentários:

Natália Onori disse...

AAAAAIIIIII!!! Que saudades que eu estava de beber suas palavras em longos e demorados goles!!!
BEEEEEEM BOOOOOOOM!

Ursula Longo disse...

estou esquentando. não gostei tanto desse, mas precisava voltar, então tá aí. sentei a bunda na cadeira e foi! hahaha