terça-feira, 12 de outubro de 2010

ai que saudade que eu tenho? eu é que não...

Este final de semana estava aguardando uma amiga no Shopping e como estou por assim dizer TO-TAL-MEN-TE relaxada no meu pós férias, comprei meu yogurberry e me entreguei a um esporte que gosto bem que é filmar o de vai e vem de gente. Tinha me esquecido o quanto é bom este ficar à toa.

É um casal que combina, outro nem tanto, um punhado de gente andando junto, um e outro que segue só, um velhinho que vai de bengala elegantemente, algumas crianças correndo e gritando, o segurança que segue impassível, a faxineira que tenta manter a ordem, um que vai mais apressado, outro que também aguarda alguém... E aí que me atento a um pequeno.

O guri estava sozinho, e parecia estar se aventurando naquela zona de segurança em que os pais deixam seus pequenos explorarem, sob cuidadosos e atentos olhares. Onde eles mesmos voltam, de tempos em tempos, pedindo arrego quando sentem que estão indo longe demais. Acontece que meu pequeno rapaz, mesmo com uma carinha aparentemente tranqüila, não estava neste vai e vem. Estava meio paradinho, olhando para um lado e para o outro, como que de fato sentido falta de algo. E a cada momento que passava, mais eu achava que ele estava mesmo perdido.

Delicadamente me aproximei e tentando não assustá-lo perguntei se estava tudo bem. Ai meu Deus, o guri que estava se controlando se desmanchou em lágrimas e em um chororô que adivinhem... Me colocou em quase pânico. Respirei fundo, e pensei nas coisas básicas a se fazer. Como por exemplo, perguntar o nome dele. A resposta foi obviamente algo que não consegui entender. Então parti para a segunda pergunta.

- Com quem você estava?
- Com o Vovô e com a Vovó.
- Então tá bom, fique tranqüilo que a tia vai te ajudar a encontrar o Vovô e a Vovó. Tudo bem?

Na impossibilidade de encontrar consolo em outra pessoa mais experiente em crianças perdidas, ele fez que sim com a cabeça. Já os olhinhos me pediam mesmo era para que resolvesse logo aquela situação. Lembra do meu quase pânico? Agora ele era real. Meu coração estava disparado e já estava suando frio. Sensação horrorosa. Tinha que ajudar aquele miúdo e não estava conseguindo nem me comunicar com ele. Respirei fundo e segui conversando, tentando sacar alguma outra informação e ao mesmo tempo acalmá-lo.

- Como é o nome do Vovô e da Vovó?

Ele mais uma vez respondeu algo que no meio do choro meu pareceu um “Vovô Vitor”, mas que não podia ter certeza alguma. Eu já estava ajoelhada aos pés do pequeno quando um casal se aproximou perguntando se ele estava perdido.

- A gente tá. Quer dizer, ele está. Como a gente pode ajudar ele?

Pronto, agora eram praticamente duas crianças pedindo por socorro. Para a minha sorte a sugestão do casal de que procurássemos pelo segurança para avisar que havia um little lost boy – tipo sugestão óbvia não acham – nem precisou ser tomada, porque em seguida a mãe desesperada chegou. Para resgatar o filho de seu abandono e a mim daquela situação constrangedora.

Com tudo resolvido, o pequeno rebento de volta aos braços maternos e eu livre para me perder sem a necessidade de me encontrar, não pude deixar de pensar o quanto fantasiamos a questão da infância. Para quem acha que se perder em um shopping é pouco, vale lembrar que a gente também tinha que engolir o choro, que se chorasse ia apanhar para chorar de verdade, que a gente só podia levantar da mesa depois que comesse tudo, que o último programa de TV que estávamos autorizados a assistir era à novela das oito – naquela época era das 20h mesmo, que a gente devia crescer e aparecer, e que do jeito que a gente queria, a gente fazia quando tivesse a nossa própria casa...

Ser criança é f_da. Definitivamente não é das tarefas mais fáceis. É por isso que neste dia, eu tiro o meu chapéu para a pirralhada, ofereço a minha solidariedade, e mais importante, lembro a todos que a infância não dura por muito tempo. E que portanto, podem respirar aliviados. 

2 comentários:

V disse...

U,
nao sei se compadeço com seu little boy, com a nossa infancia, com a da minha filha ou aqueles q ainda estão por vir, verdade, ser criança ja foi mais facil. Porem de uma coisa essas crianças estão livres...aquele disco voador da Xuxa, horrendo, aquilo seria trauma psico na certa para criançada deste seculo....hehe ;)

Caíto disse...

só me chateia ver os próprios pais podando a sinceridade e ingenuidade das crianças..
Qdo elas falam uma verdade constrangedora seus pais ensinam a não falar isso.. è ai q perdemos a principal virtude das crianças....
Qdo ouvem dos Pais "vc nao pode falar pra tia q ela é gorda, ou pro tio que ele é careca...(essas coisas) é neste momento que as crianças viram adultos e se igualam (por baixo) à nós adultos..
Espero ser criança pra sempre... mesmo com quase 30 eu ainda amo a cia delas mais q de qq um...
valeu Tia Ursa,,, amo-te, bom retorno à labuta e ja sabe, qq coisa "tamo junto".
Vamos marcar umas travessuras juntos pra reviver nossos melhores anos da vida. Onde só tinhamos a lição de casa e a tia gorda pra segurar a vontade de falar a verdade.
Caíto!!!!!