Quatro amigos rumo à televisão grande para assistir Shrek 4. Sessão das 15h30, dublada. Estávamos mais para quatro crianças. O que não fazemos por uma amiga paraense, não é florzinha?
Mas ela mandou bem escolhendo a sala Imax, ou Imaxiiiiiiiiiiiii, como ela gosta de dizer. Ainda não tinha visto nenhum 3D lá e é sim, muuuuuuuuuuuuito melhor.
No que entramos na sala e eu vi todas aquelas crianças pensei, acho que vamos nos f_der. Mas foi começarem os trailers que percebi que daria mais trabalho do que todas elas juntas. O trailer de Deep Sea me transformou em criança em segundos e lá estava eu a falar com as imagens. Quando olhei para o lado notei que o cinema acabara de ganhar não só mais uma criança, mas quatro. Em que número do Shrek estávamos mesmo? Então vamos lá.
Antes de entrar no cinema já tinha sido avisada de que o Ogro estava em crise. Crise? Pensei logo, que bom, um tema familiar.
Logo no início o título original do filme, Shrek Forever After, me dizia que a tal crise não deveria ser mesmo brincadeira. E não era. Depois de enfrentar o dragão para salvar a princesa, encontrar seu verdadeiro amor, casar, salvar Far Far Way (o reino de seus sogros), ter seus filhos e, virar um homem de família... O Ogro está entediado.
Qualquer semelhança com o que vive a minha geração não é mera coincidência. Quem está casado fantasia as delícias da vida de solteiro, quem está solteiro imagina se não seria melhor estar casado. E mais do que isso, quando se consegue o que quer, questiona-se se era mesmo isso o que queria. Afinal, se não sabemos direito o que queremos e assim mesmo corremos atrás da mistura do que achamos que queremos com o que os outros querem para nós, com o que a gente achava que queria e com o que achamos que não temos... Não tinha como dar muito certo.
Mas o engraçado é sacar como a fábula do ogro verde nos traduz tão didaticamente. O ogro casado que se entendia da rotina forever after na verdade não quer abrir mão de tudo para voltar a ser somente ogro temido dos velhos tempos, ele quer sentir o vigor da juventude de vez em quando, mantendo seu porto seguro – mulher e filhos – devidamente preservados, para quando estiver satisfeito de sua curtição juvenil, ter para onde voltar.
A ogra por outro lado entende que uma etapa de sua vida passou e encontra-se mais tranqüila na posição de esposa e mãe. Mas ao passo que alguém muda este status quo, fazendo com que ela também mude seu destino, transformando-a em mulher de negócios, independente e descrente de romance, ela segue sem muito questionamento. Agora não tem tempo para pensar nestas “bobagens”, e para não perder toda sua ternura, exercita seu amor com o "filhinho da mamãe", seu gato de estimação.
Como nenhum dos dois está contente em seu novo papel, a ansiedade por outra mudança logo se instala. Como eu disse anteriormente, qualquer semelhança com minha geração, não é mera coincidência...

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