- Oi delícia, tudo bem?
- Nossa, que saudade, achei que não ia nunca mais falar com você...
- Achou errado. Você está trabalhando ainda?
- Estou, tá foda aqui hoje. Aliás, hoje não, tem sido né, a empresa foi comprada, eles estão...
- Vamos tomar um café? Estou aqui no D&D, me encontre no café.
- Em quanto tempo?
- Cinco minutos.
Mesmo sem saber direito o que estava fazendo, pegou seu paletó e seguiu rumo ao encontro. Ele nunca havia mesmo entendido o que aquela mulher queria dele, se é que queria mesmo algo dele ou de quem quer que fosse. Não seria agora, neste intervalo de cinco minutos que tinha para chegar ao café, que iria decifrar aquela cabecinha loira.
Foi se aproximando do café meio atordoado, procurando seu mistério de forma tímida, desajeitada, no melhor jeito que um dia a fez se apaixonar.
Em uma mesa, no final do café, ela curtiu sua desconfortável presença por alguns segundos, antes de acenar ao seu pequeno, que demorou mais alguns segundos para encontrá-la.
Quando a viu se abriu em largo sorriso e partiu em passo manso ao seu encontro. Ainda em cinema mudo se abraçaram sentindo seus corpos e cheiros para depois se afastarem cuidadosamente.
- Que saudade seu puto!
- Seu cabelo está comprido, você está tão linda... como você pode me deixar tanto tempo sem estas covinhas?
Abrindo-se em sorriso e apontando as bochechas ela diz: - Estão aqui, somente para você. Beija!
- Eu te amo, sabia?
- Eu sei. Me dá outro abraço? Quero te comer aqui mesmo. Vamos tomar um chocolate? Tô com frio, pega um pra mim?
- Só chocolate?
- Uma média, per favore.
A mesa escolhida por ela estava perto do caixa, e assim todos os movimentos dele foram de perto degustados. Seu jeito manso de andar, de fazer o pedido, de aguardar o chocolate, de olhar para ela de vez em quando, sorrindo sempre...
- Trouxe adoçante, um pacotinho só. Para você abrir, usar somente ¾, jogar o restante no pires e ficar brincando com o envelope. Primeiro com a parte pequena que você rasgou para despejar o conteúdo, depois com o envelope todo.
- Você existe?
- E você?
Virando de lado e mostrando a bunda ela diz: “Me belisca aqui pra ver seu eu gosto.”
- Tá vendo...
- Eu preciso ir embora agora, o que você vai fazer terça que vem? Quero te ver. Vamos fazer alguma coisa?
- O que você quiser.
- Eu quero você.
- Você tá linda... Este cabelo ficou ótimo em você.
- Como 10 entre 10 homens você prefere cabelo comprido. Podia ser menos previsível né?
- Você fica bem de cabelo curto, eu gosto também. Mas você está linda.
- Tá vendo como é bom sentir saudade? A gente acaba se amando mais. Eu também estou te amando mais agora. Vou até sonhar com você.
- Eu vou bater várias pra você.
- Guarda um pouco pra terça. Te ligo de manhã e a gente combina onde e quando vai se encontrar.
Abrindo um novo sorriso ela levantou-se, beijo-o e despediu-se. Afastou-se delicada e vagarosamente. Sabendo que ele ainda a acompanhava, fez habitual sinal com a mão direita, dedo indicador, braço baixo, ao lado do bum-bum. Olhou para trás e lá estava ele, correspondendo.

7 comentários:
Como é bom ser livre, né?!
Livre pra ir e vir
Livre pra amar em quantas ocasiões e de todas as formas que quiser...
Hmmm e amar mil vezes e cada vez mais o mesmo “alguém”...
Ter a estranha certeza que de uma forma inexplicável estão eternamente conectados, sem estarem grudados.
Me agrada a semelhança de nossas vidas...
P.S. Adoro ser a primeira a comentar...
P.S.2 Falei da volta dos que não foram hoje e olhe só... hehehe flashback?
já viu a tatuagem que tenho no pé?
sei que a liberdade talvez seja apenas um grande sonho a ser perseguido pela vida inteira sem nunca poder ser alcançado, mas o que eu posso fazer se não consigo evitar?
semelhanças? lembra quando perguntei, ainda na sua entrevista se você podia dar o endereço do seu blog? já senti algo no ar naquele dia, não me pergunte o motivo...
ps1: adoro suas visitas e comentários
ps2: os que não conseguem partir são os melhores...
As semelhanças deste texto com situações cotidianas e amores (correspondidos ou não) aproximam o leitor juntamente com suas fantasias e aspirações, criando assim proximidade e simpatia por aquela que escreve.
Se não te conhecesse tiraria a mesma conclusão de qm lê sem saber qm és loira...
Uma pessoa apaixonada pela vida e pela tal liberdade citada acima, porém sem perder o sonho de toda menina de ser feliz com seu príncipe (a cada ano menos encantado e mais racional).
A vida é cheia de momentos maravilhosos e cheio de detalhes como esse citado.
Pena estarmos (seres humanos) cada vez mais distantes da simplicidade e dos prazeres de um simples café com qm amamos, valorizando mtas vezes o mais desprezível dos valores.....(seja pelo trabalho, dificuldades, contas, conflitos, enfim..) Distantes inclusive de si mesmo...
parabens Ursula.. visitarei sempre..
bjos
ahhhhhhhhhh meu querido, amei muito seu comentário. e como me conheces bem, não é? e volte sempre, a casa é nossa!
beijo grande,
ulla lá
suspiros...
Adorei o texto e os detalhes sutis e mesmo assim indispensáveis que valorizam um momento simples a dois.
É reconfortante descobrir que o único que viaja na maionese nesses pequenos detalhes do dia a dia.
Ganhou mais um fã.
Seja feliz!
fico sempre muito feliz quando algum visitante eventual gosta do que lê por aqui. seja bem-vindo querido!
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