quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

eu AMO são paulo


Vou direto ao ponto. Eu AMO São Paulo. E para quem quiser me convencer que São Paulo não é para se amar em função de todo o caos que esta cidade tão bem representa, eu digo, AMO também por isso.

São Paulo é uma cidade complexa. É. Isso é ruim? Bem, para um ser ciclotímico como eu não há cidade melhor. Dias lindos e ensolarados, alternados com cinzentos e chuvosos. Na maioria das vezes isso tudo em um dia só. Excelente para os meus altos e baixos.

E tem também toda esta coisa da posse. Em que outra cidade tudo é de seus habitantes como em São Paulo? Sim, porque aqui tudo é “meu” daqui, “meu” dali, como se fossemos donos de tudo. Deve ser parte de um tremendo delírio de grandeza. E quando estou em outras cidades onde as pessoas brincam com o meu “meu”, aí é que me divirto mais e não tiro o “meu” da boca. Meeeeeeeuuuuuuuuu, tem coisa melhor?

Tem. Muito mais. Tem vários sotaques, e não somente porque temos gente de todo o Brasil buscando seu lugar à garoa. É porque cada canto desta cidade vai em uma pegada. E com exceção do pronome possessivo, cada tribo canta seu tema.

São Paulo tem todas as cores, todos os jeitos, todas as formas, todos os sabores. É a cidade da Augusta e todos os seus bares para toda e qualquer tribo, da Oscar Freire com suas lojas très chic para bem menos tribos. Do Estadão e seu sanduíche de pernil das madrugadas, e também do DOM com seu chef mega badalado. Dos metrôs lotados, ônibus também. Das  marginais que dão vazão, ou deveriam dar, a tantos carros, caminhões, motos. Motos? Bem, não vamos esquecer dos cachorros loucos, que tanto execremos, mas que são quase o retrato concreto e mais fiel desta selva de pedra.

Fiel? São Paulo é a cidade do meu Timão, dos Domingos embalados aos cantos no Pacaembú. Estádio ímpar, pequeno e donde se pode ver tudo de qualquer lugar dele. Um encanto.

E os serviços 24 horas? Em São Paulo tem academia que não fecha. Está sem tempo para malhar? O que você faz da meia noite às 6h? Vai puxar ferro. Aqui as pessoas aproveitam as compras da madrugada para paquerar. O Pão de Açucar da Praça Panamericana sustenta fama de casamenteiro, para quem quiser somente abastecer as pratelerias e está fugindo de compromisso, melhor escolher outro local para as comprinhas.

Vamos também parar com as desculpas de que aqui é tudo muito caro e que deste jeito não há como se divertir. Existem várias programações gratuítas ou de baixo custo. Se a preguiça baixar e a vontade de ficar estendido no sofá for maior, ok. Mas papinho de cidade toda cara não pega mais.

No final então, meu amor jurarei em cinzas póstumas pela Paulista. Já avisei. Se não atenderem meu pedido, voltarei pra assombrar quem ficou. Assim aproveito e mato saudade. Sempre!

sábado, 14 de janeiro de 2012

o começo do fim? fim do começo?


E mais uma semana que ia chegando ao fim. Palavra interessante, não é? Fim de que? Se começa de novo, será que acabou mesmo? Uma boa maneira de continuar levando esta vidinha miserável, afinal, há sempre a falsa sensação de que algo está terminando e outro começando.

Ela olha para aquela pilha de roupas para passar logo que abre a porta de sua casa e, mais uma vez pensa a respeito da imbelicidade do fim-começo, começo-fim. Quando chegaria o fim daquela pilha de roupas? De toda ela, de todas elas, de toda a roupa do universo. Um pouco perdida em seus pensamentos foi atropelada pelo marido que pergunta “quando é que sai a janta?”.

“O seu jantar estará pronto a hora que você quiser, é só levantar esta bunda preguiçosa deste sofá imundo e prepará-lo”. Não bastasse toda a miséria em que ela foi se meter ainda acabou se envolvendo com um bunda pesada que todos os dias, invariavelmente queria saber de sua “janta”.

Interrompidos pela campainha, o jantar, a “janta” e, todos os outras neuroses que sustentavam aquela relação tiveram que aguardar.

“Sua mãe não resistiu…”

Este é o tipo de notícia que após meses e meses de sofrimento, não se sabe se é para trazer alegria ou tristeza. Ficar aliviado com a ida de um pai não é coisa que se pode assumir. Principalmente quando é o seu. Talvez sentir? Segurando em sua mão de forma carinhosa, o trouxe para perto do seu corpo e somente o abraçou. Ele foi soltando o choro e se abaixando aos poucos. Ficaram daquela forma por um tempo que não se tem como medir. Até que ele se afasta, olha para ela, e faz que vai dizer alguma coisa. Ela consente com um olhar, e naquele momento eles se entendem. 

Ele parte batendo a porta e, invevitavelmente ela pensa que agora sim, algo havia chegado ao fim.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

encarecidamente eu peço: me errem

Acabei de ler uma nota no Yahoo a respeito de 10 coisas que as mulheres fazem e deixam os homens malucos. Poderia discutir alguns dos itens que os homens reclamam, mas ao que tudo indica, ADORAM... Mas não. Farei uma lista das 3, e apenas três coisas insuportáveis em um homem.

E que fique bem claro que não estou levantando bandeira feminina, nem falando em nome das mulheres. Esta lista é pessoal e intransferível, de coisas que ME irritam.

Então vamos lá:

Falta de atitude. Não importa o que você queira, uma simples trepadinha, um cinema, chorar as mágoas pela ex namorada, uma companhia para a cerveja, whatever… Seja claro. Se vocês não gostam das evasivas femininas, por favor, não sejam femininos. Este final de semana um ex rolo me manda a seguinte mensagem, depois de duas ligações: “Oi U. Tudo bem? Me desculpa ter ligado. Meu telefone estava no bolso e ligou sem querer. De repente podemos sair um dia destes. O que acha? Beijoão, Fulano”. Tem como respeitar um cidadão desses? Não. Não tem.

Quando vocês confundem “direitos iguais” com “liberdade para serem escrotos”. As mulheres lutaram e algumas ainda lutam por direitos iguais, e isso é uma causa mais do que justa. As mulheres devem poder votar tanto quanto os homens, e receber os mesmos salários pelas mesmas funções desenvolvidas. Você pode continunar dando a preferência para uma mulher ao entrar no elevador que esta atitude não tem nada a ver com direitos iguais. Somos seres diferentes, com hormônios diferentes, e se você não acha bonito ver uma mulher coçando o saco e cuspindo na rua, eu também acho péssimo ver um homem que não entende a beleza de ser cavalheiro.

Não dizer, mas pensar, que mulher que transa no primeiro encontro é vadia. Ai que coisa mais antiga e fora de moda. Não sei nem o que dizer de tão patético que é. De todo modo, se você pensa mesmo isso, então tenha pelo menos colhões de dizer.  Certamente vou te respeitar mais por ao menos ter a atitude de assumir a caretice.

E para quem está se perguntando se é somente isso que me irrita, é claro que não. Sou uma pessoa totalmente irritável, mas esta lisitinha aí faz parte das coisas intoleráveis que me causam profunda ojeriza.

Então você meu querido, que é ou bundão, ou acha que o cavalheirismo é coisa do passado e/ou sonha em contrair matrimônio com a Sandy, gentileza me errar.

domingo, 13 de novembro de 2011

em pedaços

O dia não estava muito quente, nem parecia que o verão havia chegado já há alguns dias. Ela não sabia se isso era bom ou não. Era fato que a idade trouxera também uma intolerância ao calor, e poder sair de casa sem uma temperatura aterrorizante poderia ter seu lado positivo.

Mas onde estava o positivo, o negativo? Onde estavam as coisas que faziam alguma diferença? Nada mais havia de forma a fazer diferença. Tudo agora era uma repetição entediante de tudo o que um dia já teve sua graça.

E foi perdida naqueles pensamentos que também não faziam a menor diferença, que ela partiu para comprar alguns daqueles itens que uma casa não fica sem, a começar pelo talvez mais urgente e imprescindível deles, o papel higiênico.

Perambulando pelos corredores da pequena vendinha de bairro, nada parecia lhe apetecer muito. Com poucos, ou nenhum desejo a saciar, a sacola voltaria com exatamente o necessário previamente diagnosticado.

E o vazio da sacola parece se misturar ao seu.

Conta paga, ela tenta se animar para umas voltas sem destino. Como a idéia não conseguiu resistir, o caminho de volta foi tomado. Por alguns segundos, ao aguardar de um sinal verde de pedestres, ela se distrai com um desenho no muro, do outro lado da rua.

Sinal aberto. Um pouco por osmose, outro por um esbarrão, e ela começa atravessar a rua e pisando em falso, cambaleia um pouco até não mais resistir e... Ir ao chão tendo suas parcas compras espalhadas. Um alguém recolhe suas compras, outro alguém lhe ajuda a levantar perguntando se ela estava bem, no que ela responde, tchau. Enfim sem pensar muito, e talvez por isso mesmo deixando escapar o que de fato era o seu desejo.

domingo, 14 de agosto de 2011

vidinha de aeroporto


Outro dia um amigo postou no facebook que estava em Congonhas, e que adorava aquele clima de aeroporto. Eu respondi que passava. Ele, como verdadeiro amante do circuito, me provocou perguntando se eu preferia rodoviária. Bem, eu prefiro heliponto, respondi.

Brincadeiras à parte, claro que prefiro aeroporto à rodoviária. Quando disse que passava não estava fazendo uma escolha, e sim declarando um bode.

Acho um saco você ter que chegar pelo menos uma hora antes do seu vôo, para invariavelmente ter que esperar ainda mais porque seu vôo vai atrasar. É tão comum que os vôos atrasem que quando um sai no horário você comemora como se tivesse recebido um prêmio.

E as trocas de portão de embarque? Seguem na mesma pegada dos atrasos. Quando o portão não muda você nem acredita. Dá aquela sensação de pegadinha, tudo tão normal que alguém deve estar aprontando alguma coisa.

Bem, aí tem aquela guerra para entrar no avião. PQP, se as poltronas são numeradas, Cristo Rei, alguém pode me explicar o motivo de tanta ansiedade para entrar no avião? É vontade de permanecer mais tempo engaiolado? Fora que a tentativa das companhias de fazer a galera do fundão entrar primeiro para facilitar o “carregamento” da aeronave parece que ainda não foi entendida. Um amigo meu que é piloto disse que o pessoal se bate para entrar rápido no avião para não ficar sem espaço no bagageiro. Faz sentido. Mas por que? Porque brasileiro não respeita regras. Se todo mundo respeitasse o tamanho, peso e quantidade para as bagagens de mão, ninguém ia ficar com medo de não ter espaço para sua bagagem. Mas…

Bem, aí tem as instruções de vôo em inglês. Cada vôo que pego parece que o nível do inglês piora. A questão é que nem precisa saber falar inglês, basta treinar um pouco o discurso, que é sempre o mesmo. Ninguém vai saber se você fala ou não. Mas aí você pega um comissário falando como está o tempo. Já sangra aos nossos ouvidos, imagine aos da gringolandia!

Se não tiver nenhuma criança barulhenta ou chorona eu pelo menos sou do time que o avião mal decolou, e já estou dormindo. Esta é a minha vantagem. Alguma eu tinha que levar, não é?

Aí o vôo acaba, para mim em céu de brigadeiro de verdade, e começa o descontrole para sair do avião. Aquelas mesmas criaturas que brigaram para entrar na aeronave, agora brigam para sair. Não respeitam o sinal para retirar o sinto de segurança, e ficam todos em pé, em fila, como se aguardar em pé fizesse o tempo diminuir. Que preguiça…

Bem, se você despachou alguma mala nem preciso dizer que no final da viagem, quando você já não vê a hora de chegar em casa, aquela aglomeração de gente igualmente desperada na frente das esteiras é algo enjoativo. Eu faço tudo para evitar o despacho, mas às vezes a viagem é mais longa, aí não tem jeito. Tem que encarar mais esta adorável etapa do maravilhoso mundo dos aeroportos.

E se você for paulistano, e estiver chegando via Congonhas, não mande o seu dinheiro agora, porque a espera por um taxi, dependendo do horário, ultrapassa os 45’ tranquilamente.

Super divertido não é?

Leona agradece a preferência e deseja boa viagem!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

minha humana

Eu tenho uma humana que me adora. Ela acha que é minha dona, e eu não discuto porque do jeito que ela me trata, pode achar qualquer coisa, até que é minha mãe… tcs, tcs, tcs!!

Vou contar a minha história com a minha humana para vocês. Eu fui adotado por um ex namorado dela. Tenho para comigo que ele queria ficar mais próximo, e sabendo que ela amava bichanos, acabou me adotando para garantir tal proximidade.

Me dei bem né? Estava desidratado, com pulgas, vermes e o caramba... Um ratinho em pele e osso. Mesmo que tivesse ficado com meu humano, dividindo espaço com dois Rotweillers, já estaria no lucro. Mas confesso que quando conheci minha futura humana entendi que o meu verdadeiro lar ainda estava por vir.

Ela morava sozinha, em um apartamento chegadinho, que só precisava de umas telas para me receber. Não que não curtisse o meu outro humano. Ele era um cara legal, carinhosos, preocupado comigo, colocou até um guizo no meu pescoço para saber por onde eu andava e assim não pisar em mim. Mas o fato é que a preocupação dele não era à tôa, ele calçava 48, e com certeza se pisasse em mim, seria meu falecimento. E tinha também o lance da cachorrada. A Meg era boazinha, me dava um boi e tudo. Mas o Jack era um animal louco para me devorar. Não dava para relaxar.

Foi aí que joguei um charme forte para minha futura humana. Para ela e seus pais também. Fiz logo serviço completo. Brincava muito, corria atrás de bolinhas e depois trazia na boca, ratinhos, ponto de luz na parede, fazia chamego, dormia no colo dela, ronronava… E para ajudar, fui ficando um gatão saudável e cheio de saúde. Não deu outra. Ela não resistiu e logo me pediu de presente para o meu humano.

Ele não gostou muito da idéia... Não sei se porque já tinha se apegado, ou porque queria me usar como moeda de troca. Só sei que minha humana teve que trucar e dizer que se ele não me desse, ela iria adotar outro gato. Eu tremi. Imagina, perder aquela boiada toda? Sei que no final deu certo. Meu humano era o tipico humano de cachorro, não sei se rolaria uma adaptação à minha rotina de felino. Fora o fato dele provavelmente ter percebido que minha humana era meio felina também, e que amarras não era com ela, logo a tática de aproximação não daria certo mesmo. Aí acabou cedendo e me doando para minha atual humana. Missão cumprida, fiquei contentão!!

Hoje levo vida de rei. Me alimento com a melhor ração que o mercado pode oferecer, tenho meu banheirinho ao menos duas vezes ao dia devidamente higienizado, uma porção de brinquedinhos para me distrair, uma consulta uma vez ao ano com o maior especialista de felinos do Brasil, uma pá de amigos da minha humana que me adoram, fora os pais dela, a irmã, e até o cunhado… Então com um denguinho aqui e outro ali, faço minha humana de escrava, e sem que ela ao menos se dê conta, tenho logo tudo o que eu quero.

Então eu só digo uma coisa. Se para ter este boi todo, eu preciso deixar ela me chamar de filho, falar comigo de forma infantilizada, me apertar e morder de vez em quando, achando que é minha dona, tá tudo certo. Contrato assinado.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

pé na estrada

Quando comecei há cerca de dois meses minha maratona pé na estrada, confesso que minha única preocupação era o suposto trânsito que pegaria na marginal. Curiosamente, esta não tem sido minha rotina, nem na ida, nem na volta. Não sei se é porque ela foi alargada, se é porque não podem mais trafegar por lá motoboys, ou o que. Só sei que tem sido mamão com açucar. Agora pasmem todos. Onde é que eu pego trânsito? Bingo. Em Campinas! Isso mesmo meus caros, cidade de interior, qualidade de vida, blá, blá, blá e um belo de um trânsito todo dia na minha b_nda. Tanto de manhã, na chegada, quanto no final de tarde, na saída.

Acho engraçado como de uns tempos para cá o Brasil inteiro esteja sofrendo dos males da cidade grande – trânsito e violência – mas como de fato quem continua levando a fama é São Paulo. Enfim… Depois de trocar idéia com outros que já seguiram minha atual rotina, descobri caminhos alternativos muito bons e até uma maneira de “pular” o segundo pedágio na anhanguera – acreditem ou não, é só pegar o acesso pela estrada da Boiada. Isso mesmo, estrada da Boiada. É ou não é o país da piada pronta? – E com estas dicas os dias têm passado de forma bem mais tranquila.

Cansa, não vou negar. Mesmo dirigindo de tenis e trocando para o salto só no estacionamento do escritório, cansa. As pernas ficam doloridas e não sei se é pelo esforço físico ou pela tensão que a estrada nos impõe.

Sim porque uma cagadinha dentro da cidade é apenas uma cagadinha. Mas na estrada pode acabar em funeral. Então é um olho no velocímetro para garantir os 120 km da bandeirantes e os 100 km da anhanguera, outro no retrovisor para dar passagem para quem tá cagando para o limite de velocidade, outro no GPS para não perder nenhuma entrada, outro na entrada do Frango Assado, pelo menos às terças, para um café preto e um pão na chapa… Puta que pariu! É tenso!

Fora que eu A-DO-RO dormir até tarde. E obviamente, para tomar meu banho de noiva e sair a tempo de chegar no horário, eu tenho que acordar às 5h30. Isso mesmo meus caros. Acordo com o dia escuro e não estamos em horário de verão. Tem dias que me pergunto se não bati a cabeça para ter aceitado uma proposta de trabalho em Campinas. Mas com a graça de Deus eu ajusto rapidamente meu relógio biológico para acordar no horário que for. O dificil mesmo tem sido dormir mais cedo. E como eu necessito de pelo menos 8 horas bem dormidas, calculem o bagaço em que eu me encontro quando a semana está chegando ao fim. Eu que já andava totalmente lesada para baladinha noturnas, ando correndo mais do que vampiro de água benta.

Nesta linha dificuldade matutina e facilidade noturna, as voltas são sempre mais gostosas. Geralmente passei o dia na pilha, então pegar os 100 km de volta para o lar não é grande sacrifício. A única coisa que quero morrer à noite é com os filhos da putinha dos donos dos carros com farol de xenon. Gente, não é proíbido este lixo? Porque deveria. Esta luz cega a gente! E pelo visto os estradeiros adoram, porque você encontra aos rodos. Sempre que alguem me cega com este inferno fico com vontade de instalar um no lugar da luz de ré. Justo não é?

E falando em bode tenho notado uns calos horrorosos nos meus dedos. Não sei se é o jeito que tenho segurado o volante ou se é normal mesmo, porque afinal tenho passado mais tempo dirigindo. O fato é que estou ficando com horrorosas mãos de pedreiro. Estava super preocupada com o sol, passando protetor solar super forte para não ficar com aquela mão de velha, cheia de sardas de sol, e eis que os calos se instalaram. Se algum gato pegar as minhas mãos vai ficar com cara de Rhett Butler quando beijou as mãos da Scarlett O'Hara, naquela cena que ela vai visitá-lo na prisão. Tenho que dar um jeito nisso. Acho que vou comprar aquelas luvinhas de marombeiro. Assim previno calo e sardas de uma vez só.

De resto é trocar o rádio para um com entrada de Ipod, evitando que o carro se transforme em uma loja ambulante de cds, e é isso aí. Pé na estrada!

domingo, 3 de abril de 2011

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... E em tudo ele aparece com seu cheiro. A carteira que eu abro, o café que eu tomo, o cimento da construção, o elevador velho, o corredor recém faxinado, o carpete antigo, o sol que entra pela sala, o caderno folheado, a caneta que começa a escrever e... Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Comprar pílula, lenço demaquilante, Roc Minesol e colírio. Hummm, tenho ainda que desbloquear o Sem Parar.

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Eu daria para ele. Andaria de mãos dadas, apresentaria aos amigos, sentaria em seu colo, de um lado, do outro, de pernas abertas, sentindo seu pau. Fecho os olhos e seu corpo nu me vem. Imagino todos seus supostos defeitos, nenhum deles me incomoda. Estou na fase fadinha, então quero. E... Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Podemos almoçar no shopping, que tal? Me encontra aqui às 14h?

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Uma respiração leve me invade e no mesmo compasso tento me jogar. O calor ajuda. Me amolece, me anestesia. Me jogo. Chega deste medinho de merda. Tá com medinho? Pede pra sair. Pede pra sair. Desocupe a moita, jogue o jogo. Entre em cena... Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...  

– Rack, queria trocar uma idéia com você, tudo bem?  – Claro, de boa.  – Rack, vamos ver o lance da declaração? – Claro, de boa. De boa meu cu. Fuji loucamente. Careta vai querer abrir o coração. Não quero saber de segredo algum. Por quê as pessoas insistem em se confessar comigo? Em falar comigo na fila da padoca? Em puxar conversa fiada no busão, mesmo quando estou lendo um livro? Não quero ser grossa. Mas também não quero ficar de papinho. Olho para o espelho com cara de cu e tento encontrar onde eles acham brechas para me abordar, no meio do cu que é a minha cara de cu. Cu, cuzão, cu grandão.

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Se ele me segurar assim de novo eu dou aqui mesmo. Se me chamar pelo nome mais uma vez seria eternamente sua escrava. Vai, fala de novo meu nome. Olha para mim. Olha e fala que quer me comer dizendo firme e lentamente o meu nome: - Rachel... Quero te comer. – Rachel, quero te comer toda. – Rachel, eu vou te comer! Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

– Ahhh, valeu. Valeu super! – De boa! Será que todo mundo está de boa hoje? Fico puta. – Então, olha só, acabei de ver que você colocou a data errada, colocou 2010 e já estamos em 2011 né? – É, é... – Já volto para pegar outro... Perdeu playboy. Ficou sem graça? Perdeu. Jamais será. De mim agora só terás mesmo é a cara de cu. – Obrigada. Com cara de cu. Cu, muito cu.

Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá... Seu cheiro agora é meu. Está em mim. Circula ao meu redor. Faz cena para mim. Dança se exibindo. Curte com minha onda. É a minha onda. Blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...

– Então é isso galera. Continuamos depois.

– Mesmo? 

– Sem dúvida Rachel.

Sem dúvida.

domingo, 26 de dezembro de 2010

dudu? ai sim heim!

Dudu era o que alguns chamariam de um menino de caixa de algodão. Guri criado à moda antiga e em Porto Seguro. Não falava palavrão, abria a porta do carro para as colegas de trabalho e não deixava nenhuma delas carregar as sacolas de compras. Tirando o fato de ser corintiano, tudo nele era meio que realeza. E pensando bem, nem quando seu time ganhava, o adversário levava um “chuuuuuuuuuuuupa”. Era um pequeno gentleman.

E nós claro, por não conseguirmos lidar com tamanha polidez, logo lançamos a campanha “larga a mão dudu”. Uma tentativa medíocre de fazer o guri ganhar sua porção ogra e, quem sabe, enquadrar-se melhor ao meio por ele agora freqüentado.

Como todo menino criado a leite ninho, ele entrou no clima. Fazia que estava conquistando um cadinho de podridão para nos agradar, mas em nenhum momento deixava de ser o rapaz que no fundo todos nós gostaríamos de ser um pouco.

E sem que nos déssemos conta, lá estava ele, fazendo uma gracinha aqui, outra ali, no meio de seus “ô loco”, “sacumé”, “ai sim heim”, “pela melzinho eu faço tudo”... Para que achássemos que nossa campanha era vitoriosa, quando de fato ele não deixou sua essência de lado nem por um segundo.

Foi firme quando precisou, aprendeu a cobrar tarefas sem ficar constrangido, participou das tão almejadas ações e atividades, agüentou todos os bodes da casa que ameaça, mas não cai, conduziu dinâmicas e entrevistas, vez por outra achando que não podia, mas sem nunca deixar de fazer. E sim, aprendeu. Aprendeu a lidar com toda aquela gente um pouco maluca, um pouco hostil, e principalmente deu seus primeiros passos em um mundo de gente grande.

E para quem duvida que além disso tudo, nosso Johnny Dudu Bravo também é um menino para casar, é porque não estava no amigo secreto, e não viu ele dando para a futura mamãe do escritório, a colcha feita à mão pela sua bisa, que ele usou em seu batizado. Ganhou o suspiro de todas as almas femininas e a certeza de que a flor que tiver a sorte de enxergar o grande Dudu que existe dentro da caixa de algodão, será de uma sorte sem igual.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

e aí meu velho, tem jeito?

Dizem que no Natal a gente pode fazer uma lista com nossos desejos e enviar ao Papai Noel, não é? Pois este ano eu carinhosamente fiz a minha para o gorduchinho. Aqui está:

- Desejo que todos os enfeitinhos de Natal sejam exterminados. O planeta está fritando, e acender luzinha de Natal até dentro da privada só vai piorar a conta do aquecimento global.

- Que sejam proibidos também os mega enfeites de Natal tipo árvore do Ibirapuera, o Papai Noel da Vinte e Três de maio, Passarela da Paulista e o car_lho. Papai Noel, renas e elfos espalhados pela cidade só fazem o trânsito que já é uma merda no final do ano, ficar ainda pior.

- Que dar presente, lembrancinha, agradinho, caixinha, panettone e derivados, seja um ato de mau gosto. Não agüento mais a obrigação de comprar presente, e detesto ainda mais quando me revolto, não compro e ganho. Chega deste mal estar. Ninguém dá, ninguém ganha, e que se dane este consumismo absurdo, porque ele também é responsável pelo planeta fritando.

- Para os que forem insistir nas compras natalinas, que pelo menos não as deixem para a última hora. É tipo uma súplica mesmo, para que a ação de comprar uma garrafa d’água no supermercado na segunda quinzena de dezembro, não se transforme em um ato heróico.

- Também não quero mais ser convidada para amigo secreto algum. Não agüento mais ter que participar do amigo secreto da família, da firma, da turma de 94 da faculdade, da de 82 do colégio, da turma das meninas, da academia, do clube, do condomínio...

- Que as pessoas parem de se despedir desejando Feliz Natal. Não quero a obrigação de ter que responder sorrindo: “Obrigada. Para você e sua família também.” Eu não gosto de Natal. Quero mais é que se f_da esta festa chata e grudenta.
Além do mais, e se eu fosse judia? Que tenham pelo menos a elegância de desejar boas festas.

- Que nunca mais seja produzido um filme com a temática natalina. Bastam os já produzidos, que são em número suficiente para torturar a todos nós pelo resto de nossas vidas.

- E por fim, e o mais importante. Que gostar de Natal não seja uma obrigação. Não agüento mais ser chamada de estranha, ranzinza, rabugenta, sem coração...  E principalmente, não ter que ouvir, “Por que este mau humor todo? É Natal!”

Acho que é isso meu velho. Tem jeito?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

tá rindo de quê?

Cuidado! A raça humana parece ter sofrido algum tipo de transmutação. A regra agora é rir de tudo. Achou graça? Ria. Ficou sem graça? Ria. Não entendeu? Ria. Perdeu a piada? Ria. Não tem resposta? Ria. Não achou graça? Ria. O segredo da existência humana hoje em dia parece que é a risada.

Tem duas semanas que fui assistir ao ensaio aberto de “Ligações Perigosas”, peça com Maria Fernanda Candido em cartaz na FAAP. E muito embora nunca tenha lido o romance e tampouco tenha visto alguma outra montagem do clássico da literatura francesa, já assisti ao filme uma pequena porção de vezes. E quando você vê algo novo, tendo uma referência anterior, a comparação é praticamente inevitável.

Maria Fernanda Candido deixa a desejar. Mas ao menos se esforça ao encenar o papel de Marquesa de Merteuil. Já Marat Descartes no papel de Visconde de Valmont é incompreensível. Tentando definir, eu arriscaria seu Visconde como uma bicha sem noção, com pitadas de canastrão de quinta. Uma lástima.

A atual versão não consegue nem ser fiel ao romance, mostrando a densidade de seus principais personagens, nem cair no escracho, o que honestamente eu teria respeitado profundamente.  Diretor, cadê você? Que tipo de alucinógeno anda tomando?

Provavelmente o mesmo que a platéia. Porque de toda aquela porcaria, o que mais me espantou sem dúvida foi a platéia, que sem a menor capacidade de crítica, engolia aquela bobajada, rindo de tudo, como hienas treinadas.

Não tenho nada contra comédias. Ao contrário, adoro uma boa comédia. Uma BOA comédia, entende? Agora o que não entendo é o sucesso que está fazendo esta enxurrada de comédias fracas, mal escritas, mal dirigidas, muitas vezes mal interpretadas, repletas de “cacos” forçados, onde basta convocar um global para que as bilheterias fiquem lotadas.

Será que perdemos nossa capacidade de discernimento, e que a necessidade de vivenciar algo relaxante e que nos faça rir da vida é tão grande que acabamos por aceitar qualquer enlatado que nos entregam?

Eu prefiro rir das minhas próprias desgraças. Porque quem ri à toa meu amigo, corre o risco de ser feito de otário. E se tem alguém querendo ser feito de trouxa, vai ter sempre outro, pronto para aceitar o desafio. Tiririca e seu comparsas que o digam.

É por isso que eu digo: Cuidado!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

ai que saudade que eu tenho? eu é que não...

Este final de semana estava aguardando uma amiga no Shopping e como estou por assim dizer TO-TAL-MEN-TE relaxada no meu pós férias, comprei meu yogurberry e me entreguei a um esporte que gosto bem que é filmar o de vai e vem de gente. Tinha me esquecido o quanto é bom este ficar à toa.

É um casal que combina, outro nem tanto, um punhado de gente andando junto, um e outro que segue só, um velhinho que vai de bengala elegantemente, algumas crianças correndo e gritando, o segurança que segue impassível, a faxineira que tenta manter a ordem, um que vai mais apressado, outro que também aguarda alguém... E aí que me atento a um pequeno.

O guri estava sozinho, e parecia estar se aventurando naquela zona de segurança em que os pais deixam seus pequenos explorarem, sob cuidadosos e atentos olhares. Onde eles mesmos voltam, de tempos em tempos, pedindo arrego quando sentem que estão indo longe demais. Acontece que meu pequeno rapaz, mesmo com uma carinha aparentemente tranqüila, não estava neste vai e vem. Estava meio paradinho, olhando para um lado e para o outro, como que de fato sentido falta de algo. E a cada momento que passava, mais eu achava que ele estava mesmo perdido.

Delicadamente me aproximei e tentando não assustá-lo perguntei se estava tudo bem. Ai meu Deus, o guri que estava se controlando se desmanchou em lágrimas e em um chororô que adivinhem... Me colocou em quase pânico. Respirei fundo, e pensei nas coisas básicas a se fazer. Como por exemplo, perguntar o nome dele. A resposta foi obviamente algo que não consegui entender. Então parti para a segunda pergunta.

- Com quem você estava?
- Com o Vovô e com a Vovó.
- Então tá bom, fique tranqüilo que a tia vai te ajudar a encontrar o Vovô e a Vovó. Tudo bem?

Na impossibilidade de encontrar consolo em outra pessoa mais experiente em crianças perdidas, ele fez que sim com a cabeça. Já os olhinhos me pediam mesmo era para que resolvesse logo aquela situação. Lembra do meu quase pânico? Agora ele era real. Meu coração estava disparado e já estava suando frio. Sensação horrorosa. Tinha que ajudar aquele miúdo e não estava conseguindo nem me comunicar com ele. Respirei fundo e segui conversando, tentando sacar alguma outra informação e ao mesmo tempo acalmá-lo.

- Como é o nome do Vovô e da Vovó?

Ele mais uma vez respondeu algo que no meio do choro meu pareceu um “Vovô Vitor”, mas que não podia ter certeza alguma. Eu já estava ajoelhada aos pés do pequeno quando um casal se aproximou perguntando se ele estava perdido.

- A gente tá. Quer dizer, ele está. Como a gente pode ajudar ele?

Pronto, agora eram praticamente duas crianças pedindo por socorro. Para a minha sorte a sugestão do casal de que procurássemos pelo segurança para avisar que havia um little lost boy – tipo sugestão óbvia não acham – nem precisou ser tomada, porque em seguida a mãe desesperada chegou. Para resgatar o filho de seu abandono e a mim daquela situação constrangedora.

Com tudo resolvido, o pequeno rebento de volta aos braços maternos e eu livre para me perder sem a necessidade de me encontrar, não pude deixar de pensar o quanto fantasiamos a questão da infância. Para quem acha que se perder em um shopping é pouco, vale lembrar que a gente também tinha que engolir o choro, que se chorasse ia apanhar para chorar de verdade, que a gente só podia levantar da mesa depois que comesse tudo, que o último programa de TV que estávamos autorizados a assistir era à novela das oito – naquela época era das 20h mesmo, que a gente devia crescer e aparecer, e que do jeito que a gente queria, a gente fazia quando tivesse a nossa própria casa...

Ser criança é f_da. Definitivamente não é das tarefas mais fáceis. É por isso que neste dia, eu tiro o meu chapéu para a pirralhada, ofereço a minha solidariedade, e mais importante, lembro a todos que a infância não dura por muito tempo. E que portanto, podem respirar aliviados.